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Roberto Moreira S. Cruz escreve sobre a mostra Narrativas e Subjetividades

7/12/2012

Narrativas e Subjetividades exibe uma seleção de filmes que trata, de forma diversa, dos modos subjetivos de representar a realidade, seja no documentário ou em filmes experimentais. São imagens que solicitam um espectador que aceite esse prolongamento da experiência do olhar, buscando se integrar ao tempo próprio da narrativa. Esta distensão apaga qualquer motivação espetacular da narrativa, propondo uma representação direta de um instante da realidade, aparentemente simplificado de sentido dramático, ou buscando reinterpretá-la através de sua essência poética.

Imagens que solicitam um olhar atento que contribua para a compreensão da densidade do sentido do filme, aproximando o espectador da proposta do cineasta, compartilhando com este a identificação pelo que a imagem traz de mais potente, em sua sensibilidade documental ou em seu apuro estético.

São filmes que ressaltam o ponto de vista do diretor como um instrumento de observação, análise e reinterpretação da realidade. Não são filmes que submetem o olhar a ação programada da edição criando correspondências entre o sentido e o significado da imagem em relação a esta ação.

Neles o espaço está suprimido pelo tempo e a dimensão plástica da imagem exerce peso sobre a sua representação. São filmes para serem vistos com ‘outros olhos’; observados nas sutilezas de suas subjetividades.

Roberto Moreira S. Cruz (curador)

Confira aqui as sinopses dos filmes da mostra Narrativas e Subjetividades

7/12/2012

PROGRAMA 1

- BALANÇA MAS NÃO CAI, de Leonardo Barcelos

Brasil / 2012 / 77min

Um prédio como paisagem e cenário de acontecimentos e memórias. A partir da reforma do Edifício Tupis, popularmente conhecido como “Balança mas não cai”, histórias, fatos e relatos se misturam numa teia imbricada de sensações e percepções. Na relação com o espaço, passado e presente se confundem e as memórias se tornam vivas.

PROGRAMA 2

- ACIDENTE, de Cao Guimarães e Pablo Lobato

Brasil / 2006 / 72 min

Um poema composto por 20 nomes de cidades de Minas Gerais, Brasil, é o corpo rítmico deste filme, que se abre ao imprevisto e ao improviso. Instigada pelos nomes destas cidades, a equipe percorre pela primeira vez cada uma delas. Num movimento de imersão e submersão, o filme se faz através de duas camadas narrativas – uma formada pela história do poema e outra pelos eventos ordinários que surgem acidentalmente diante da câmera em cada uma das cidades.

PROGRAMA 3

- A FALTA QUE ME FAZ, de Marília Rocha

Brasil / 2009 / 85 min

Durante um inverno, rodeadas pela Serra do Espinhaço, um grupo de meninas vive o fim da juventude. Um romantismo impossível deixa marcas em seus corpos e na paisagem a seu redor. Em meio a conversas, obrigações e prazeres cotidianos, cada uma delas encontra uma maneira particular de contornar a solidão e enfrentar as incertezas de um futuro próximo.

PROGRAMA 4

- OS RESIDENTES, de Tiago Mata Machado

Brasil / 2010-2013 / 135 min

Instalados em uma nova zona autônoma temporária, os residentes passam os seus dias entre pequenos complôs lunáticos, farsas quixotescas e delírios rimbaudianos.

PROGRAMA 5

- ANALOGIA DO VERME, de Carlosmagno Rodrigues

Brasil / 2010 / 18 min

Experimentos patéticos do personagem-autor Carlosmagno Rodrigues. Ele tenta atravessar seus braços com facas, entre outras ações filma amigos com a intenção de criar uma realidade fílmica compreensível.

- DORIANGRENN, de Carlosmagno Rodrigues

Brasil / 2009 / 16 min

Filmes sobre experimentos dramáticos que chocam com o naturalismo cotidiano. Cenas caseiras, exercícios dramáticos e leitura de textos pessoais compõem uma realidade fílmica autobiográfica.

- DROP IN THE DARKNESS, de Carlosmagno Rodrigues, Cris Ventura e Sara Não Tem Nome

Brasil / 2011 / 7 min

Um filme sobre a conversão evangélica. O filme é montado em travellings verticais referenciando o arquétipo do inferno. Um pastor guatemalteco é importunado por Dylan, um bêbado que tenta convencê-lo a lhe dar uma bíblia. O título "Drop in The Darkness" faz referência às circunstâncias que a trilha sonora foi gravada em Antiqua, Guatemala, e apresenta o desconforto causado pela solidão e a violência.

- ANTICRISTO – UM VÍDEO SOBRE A MINHA MORTE, de Carlosmagno Rodrigues e Dellani Lima

Brasil / 2006 / 28 min

Anti-documentário autobiográfico de estrutura fragmentada, que relata experiências da vida dos autores, suas ideologias, conflitos e esperanças vazias. Discursos emblemáticos, construídos com recursos diversos, como o filho do autor recitando Nietzsche.Um vídeo contundente, perturbador de um diretor iconoclasta.

PROGRAMA 6

- JARDIM INVISÍVEL, de Roberto Bellini

Brasil / 2008 / 15 min

Jardim Invisível toma como ponto de partida a paisagem noturna de um bairro suburbano americano. Trata-se de uma organização especial que exclui o uso público, criando um universo artificial e vazio. O vídeo faz uma releitura desse espaço criando para ele uma nova narrativa, na qual uma figura solitária executa sua tarefa de cuidar desse árido jardim.

- CORDIS, de Roberto Bellini

Brasil / 2010 / 15 min

Natureza, pasto, estrada de terra, gado e a brutalidade de um gesto, corriqueiro para a vida das pessoas no campo. Na descoberta de um detalhe, o imperceptível se torna fenômeno. O paradoxo entre a vida e a morte, sobreviver e estar vivo.

- PELO VIDRO, de Roberto Bellini

Brasil / 2006 / 7 min

Uma coleção de encontros visuais que revela numa reflexão poética sobre o tempo, a contemplação e a distância imposta pela câmera.

- TODO SILÊNCIO ME INCOMODA, de Felipe Barros

Brasil / 2011 / 6 min

O que separa o real da imaginação é uma transparente e invisível parede de vidro. O mar, o horizonte e o movimento das ondas transformam o imaginado no lugar do provável e da razão.

- MANCHA DE DENDÊ NÃO SAI, de Felipe Barros

Brasil / 2011 / 16 min

A sobreposição casual de sons e imagens cria campos de significação originais e inusitados. A paisagem da praia e as vozes de seus habitantes, com sotaques e dialetos, num jogo sensorial deslumbrante e divertido.

- NÃO CONFIE À NINGUÉM O SEU SEGREDO, de Felipe Barros

Brasil / 2011 / 3 min

Viva e morra fechado como um caracol. Não confie a ninguém o seu segredo. Um tom sinistro cerca a paisagem do jardim: um pássaro, um réptil, uma ave morta.

- MARÉ VAZANTE, de Felipe Barros

Brasil / 2010 / 4 min

A maré deixa um rastro, um resíduo que não se desfaz. O tempo, ao contrário, faz tudo se transformar. Vídeo performance realizada por um morador da praia de Itaparica, Bahia.

Dia 13 começa a mostra Narrativas e Subjetividades

7/12/2012
 

NARRATIVAS E SUBJETIVIDADES

Mostra de filmes documentários e experimentais

DE 13 A 16 DE DEZEMBRO na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro

Curadoria: Roberto Moreira S. Cruz

Realização: Surreal Filmes e Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura.

ENTRADA FRANCA  - Retirada de senhas meia hora antes de cada sessão, na bilheteria da Sala P.F. Gastal

PROGRAMAÇÃO

13 de dezembro, quinta-feira

20h30min - PROGRAMA 1 / 77 MIN

BALANÇA MAS NÃO CAI, DE LEONARDO BARCELOS (lançamento)

14 de dezembro, sexta-feira

18h - PROGRAMA 2 / 72 MIN

ACIDENTE, DE CAO GUIMARÃES E PABLO LOBATO

20h - PROGRAMA 4 / 135 MIN

OS RESIDENTES, DE TIAGO MATA MACHADO

15 de dezembro, sábado

18h- PROGRAMA 5 / 73 MIN

VÍDEOS DE CARLOSMAGNO RODRIGUES

20h - PROGRAMA 3 / 85 MIN

A FALTA QUE ME FAZ, DE MARÍLIA ROCHA

16 de dezembro, domingo

18h - PROGRAMA 6 / 65 MIN

VÍDEOS DE ROBERTO BELLINI E FELIPE BARROS

20h - PROGRAMA 1 / 77 MIN

BALANÇA MAS NÃO CAI, DE LEONARDO BARCELOS

*Sessão comentada com o diretor do filme.

 

Mostra NARRATIVAS E SUBJETIVIDADE

5/12/2012

Abertura da Mostra NARRATIVAS E SUBJETIVIDADES com o lançamento do filme BALANÇA MAS NÃO CAI, de Leonardo Barcelos: 13 DE DEZEMBRO, às 20h30, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro.

Curadoria de Roberto Moreira S. Cruz.

Realização da SURREAL FILMES em parceria com a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura.

ENTRADA FRANCA.

Em breve, divulgaremos a programação completa.